BIBLIOGRAFIA BÁSICA – PARTE 08

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A indicação de livro dessa semana é muito especial para nós, por vários motivos, primeiro porque é de um autor que possui um trabalho engajado em assuntos culturais que admiramos muito, trata-se de Ricardo Pieretti Câmara. Conhecemos Pieretti num Festival a qual fomos convidados, lá em Ivinhema, Sul de Mato Grosso do Sul. O que mais gostamos naquele festival é que ele era voltado para os moradores da própria cidade, diferente daquele perfil de festival que pretende aglutinar turistas para fruir as manifestações culturais (nada contra esse segundo perfil, mas, em nossa mente, quando os moradores fruem um festival com profundidade, transformações mais amplas que as econômicas ocorrem na sociedade.).

Segundo que faz essa indicação especial é que é ilustrada pelo amigo de longa data, Douglas Colombelli, que realiza um trabalho tão engajado quanto o de Pieretti, além de ser um excelente educador, preocupado verdadeiramente com a relevante contribuição que um educador pode exercer sobre seus discentes.

E em terceiro, essa dica de livro trata de um local que é nosso território de pertencimento identitário, O Pantanal brasileiro. Êta lugar lindo de meus Deus!

Bom, vamos aos detalhes da dica.

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LIVRO: “OS CONTADORES DE CAUSOS E A POÉTICA DOS PANTANAIS”

EDITORA: Life Editora – Campo Grande – 2012

AUTOR: Ricardo Pieretti | Ilustrações: Dougas Colombelli

PORQUE LER?
Bom, o texto introdutório já denuncia que temos uma queda por esse livro, certo? Caso não tenha ficado claro, iremos descrever brevemente os motivos a qual gostamos dessa obra.

Em si o valor da obra pode ser percebido na proposta mais básica dela, que é mapear contadores de causos nos pantanais sulmatogrossenses, isso implica em também mapear parte do saber popular comum daquela região. É claro que há como afirmar que esse livro torna-se um compêndio com todos os contadores daquela região, pois contadores se fazem todos os dias, mas, ao menos, permite nos embrenhar nos aspectos culturais do Pantanal.

Vale a pena perceber que, assim como no universo profissional da narração de histórias (que tem sido cada vez mais explorado no Brasil), também no universo popular há diferentes perfis de contadores (ou mentirosos, como o próprio autor percebeu que várias vilas os chamavam), aqueles mais “livres”, os mais “moderados” e os “reprodutores”, e isso, inevitavelmente, acarreta em diferentes perfis de histórias, desde aquelas mais cotidianas, àquelas com exagero à flor da língua.

Além disso é muito legal observar que, em algumas situações, Pieretti fez questão de transcrever as histórias do modo como eram contadas, ou seja, as palavras estão ali escritas com os mesmos cacoetes de linguagem da pessoa que narrava. Por exemplo “Então, nóis fomo berano a cerca e os cachorro saíro na onça, já feis subi.” Isso é fenomenal, pois ao ler você quase escuta o som das palavras saindo da boca do sujeito pantaneiro.

Bom, por fim, mas nenhum pouco menos importante está presente na obra o trabalho do graaaande Douglas Colombelli, artista que possui um habilidade notável com diferentes formas de expressão artística. Nessa obra é possível ver alguns desenhos hachurados dele, bem como algumas aquarelas. O legal de Colombelli é que ele vivenciou o Pantanal na pele, indo em várias viagens em distintas fazendas e vilas pantaneiras.

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Augusto e Elaine fundaram a Cia Arte Negus e acreditam no riso como instrumento de transformação social.

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