RECURSOS INTERNOS E EXTERNOS DO NARRADOR DE HISTÓRIAS – BREVE APONTAMENTO

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Hoje iremos fazer um breve apontamento sobre os RECURSOS INTERNOS E EXTERNOS DO NARRADOR DE HISTÓRIAS.

A primeira vez que ouvimos esses termos foi numa oficina que o grande mestre Giba Pedroza ministrou, e, depois de um tempo, fomos percebendo que esses termos estavam presentes na prática de nossa atividade artística o tempo todo.

O QUE SÃO OS RECURSOS EXTERNOS?
Essas são as habilidades e escolhas que o contador faz para a forma de contar, a aparência externa de seu jeito de contar, aquilo que é captado pelos 5 sentidos do espectador. Por exemplo, o recurso externo mais comum e utilizado é a VOZ. Não que todas as sessões de narração de histórias façam uso da voz, vale lembrar que tem aquelas sessões em linguagem de sinais, e, nesse caso o recurso externo predominante é o próprio CORPO, mas de todo modo a voz, assim como o corpo são recursos que ficam aparentes aos sentidos do ouvinte/espectador, por isso são recursos externos.

A voz e o corpo são então dois dos recursos externos mais comuns, pois todo narrador utiliza um deles (ou os dois) para compor suas sessões. Mas cada um deles pode ser esmiuçado em uma série de variações, por exemplo, há aqueles contadores que apenas usam a fala, já outros falam e CANTAM, ou seja, usam uma outra face que a voz permite. Há aqueles que falam, cantam e fazem IMITAÇÕES (mais uma das faces que a voz propicia). Há os que falam, cantam, imitam e transformam a narrativa em uma série de piadas (mais uma face), e por aí vai.

Com o corpo é a mesma coisa. Há aqueles que usam todo seu tônus para compor corpos de personagens, emprestando-lhes seus braços e pernas para que sejam os braços e pernas dos personagens, como se dramatizassem a história. Outros narradores usam bonecos para que os personagens ganhem vida. Há aqueles que tocam instrumentos, os que dançam, os que fazem mágica e por aí vai.

O importante é entender que estilo de contador você é, como você gosta de proceder, sente-se mais seguro e confortável. Sem contar que é fundamental refletir sobre quais recursos externos são adequados a cada narrativa. As vezes queremos muito inserir um elemento numa narração, mas não cabe naquela ocasião, por isso reflita e faça seu filtro. Vale citar, por exemplo, que narração de histórias, ao contrário do teatro, o que deve predominar é a narração e não a dramatização, então cuidado para não pesar a mão em certos recursos externos e transitar de uma linguagem artística para outra (não que isso seja um problema, mas, se ocorrer, deve se ter consciência disso).
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E OS RECURSOS INTERNOS?

Esses são os mecanismos mentais do contador, aqueles elementos que ele lança mão para poder compor a história, improvisar, memorizar e etc. No início do post falei de Giba Pedroza, pois foi dele que escutamos dois recursos internos muito proveitosos no ofício de quem conta histórias, o IMAGINÁRIO INFANTIL  e a MEMÓRIA AFETIVA.

O imaginário é justamente se reconectar com suas imagens de criança, perceber como nossa mente era tão fervilhante naquela época, cheia de interpretações não tão definidas como as de uma adulto, contudo recheadas de intuição. Se reconectar com isso garante que a história seja apresentada de um modo mais “vivo”. Como se a ficção, naquele momento, fosse realidade. Assim é a infância, não? Um momento em que fantasia e realidade se mesclam, criando um mundo próprio e vivo.

Já a Memória Afetiva é uma faculdade mental que contribui para que o contador tenha maior domínio sobre a história, pois preencherá cada detalhe da história com suas próprias experiências. Você consegue lembrar quais passagens de quando era criança? E de quando entrou na adolescência? Há um modo preferido de comer frango assado? Quais músicas você gosta de escutar no final de semana? Como você gosta de sentar-se ao sofá? Tudo isso é bastante marcante, não é? E pode ser usado na narração. Para descrever os cenários de uma histórias, descreva os cenários de sua memória. Sabe as comidas que a vovó  da chapeuzinho cozinha? Que sejam as comidas que você mesmo gosta de cozinhar, ou goste que cozinhem pra você.
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Bom, esperamos que esse post ajude a observar caminhos na narração de histórias. E lembrem-se, dia 07 e 08 de maio vai rolar a oficina lá na Casa Lila.

Abração garobaba!!!

Augusto e Elaine fundaram a Cia Arte Negus e acreditam no riso como instrumento de transformação social.

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